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PARA ALÉM DO BURNOUT:  CONHEÇA OUTRAS SÍNDROMES ASSOCIADAS À RELAÇÃO COM O TRABALHO

PARA ALÉM DO BURNOUT: CONHEÇA OUTRAS SÍNDROMES ASSOCIADAS À RELAÇÃO COM O TRABALHO

Com a visibilidade que a Síndrome de Burnout vem adquirindo, abre-se um importante campo de discussão sobre a relação entre condições de trabalho e saúde mental. Burnout significa “estar esgotado” ou “queimar por dentro”, sendo uma doença de origem psicológica e relacionada ao estresse, crônico que é desencadeado com a relação laboral.

A respeito desta síndrome já podemos encontrar um vasto e importante material científico. E, sem diminuir sua importância, ao falar sobre saúde mental do trabalhador escolhi dar visibilidade e explorar outras síndromes menos divulgadas, mas com o mesmo potencial de adoecimento mental que o Burnout.

No ambiente de trabalho podemos viver experiências tanto prazerosas, que levam a auto realização, quanto experiências de sofrimento que poderão ser expressas através de sintomas.  Esses sintomas podem ser uma expressão simbólica de conflitos relacionados ao trabalho e a própria estrutura de personalidade da pessoa.

Abaixo listarei 5 Síndromes decorrentes da relação laboral.

 

1  SÍNDROMES PARANOIDES

Sua maior incidência se dá em ambientes com dispositivos rígidos de controle e que adotam práticas punitivas. Quanto menores as possibilidades de comunicação interpessoal, maior a probabilidade de desenvolvimento da síndrome. Alguns exemplos de utilização de dispositivos rígidos de controle são a utilização de crachás de identificação com dispositivo de localização do trabalhador em tempo integral dentro da organização ou a implantação de câmeras.

  • Forte sentimento de insegurança.
  • Vivências de ameaça.
  • Tensão e sensação que de está sendo perseguido.

 

2  SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA

Desenvolvida em pessoas que trabalham em turnos alternados, em trabalhadores industriais, ela se caracteriza pela fadiga acumulada ao longo de meses ou anos. Nesta síndrome a recuperação diária da fadiga através do repouso e do sono não é mais possível, passando a viver um estado de constante fadiga mental e física.

Sintomas:

  • Má qualidade do sono, em que a pessoa desperta diversas vezes durante a noite, tem insônia ou dificuldade para adormecer já que seus pensamentos não se desconectam de temas ligados ao trabalho, a pessoa pode até mesmo sonhar com o trabalho com frequência.
  • Irritabilidade e desânimo, estados emocionais que interferem negativamente nas suas relações interpessoais, levando-a a perder o interesse pela vida social e atividades de lazer.
  • Dores de cabeça, dores no corpo, ansiedade, perda de apetite e mal-estar geral.

 

3  SÍNDROME RESIDUAL PÓS-TRAUMÁTICA

Ocorre após um episódio traumático vivenciado no ambiente de trabalho, episódio este de tal magnitude que levará ao afastamento do trabalho para tratamento ou recuperação. Este episódio pode ser um acidente de trabalho, uma intoxicação ou outro evento mórbido relacionado ao ambiente de trabalho.

Sintomas:

  • Sintomas (físicos ou emocionais) relacionados ao episódio traumático mesmo após não possuir mais nenhuma causa orgânica, o que impede a volta ao trabalho.
  • Isolamento.

Antes do acidente ou da doença a pessoa já convivia com situações potencialmente perigosas, mas utilizava defesas psicológicas para negar esse perigo. Quando a pessoa é vítima de doenças ou acidentes decorrentes de situações laborais suas defesas psicológicas são rompidas e a síndrome é desencadeada, por outro lado, a pessoa passa a ser a prova viva da vulnerabilidade ante os riscos do ofício, se tornando um elemento perturbador para o grupo. A preocupação com um possível isolamento do grupo agrava o quadro.

 

4  QUADROS NEURÓTICOS PÓS-TRAUMÁTICOS

A angústia desta neurose se relaciona à vivência de situações de perigo ou ameaçalocalizadas num passado recente, que desencadeia uma série de alterações psíquicas. Neste tipo de neurose o fator desencadeante não é apenas uma vivência isolada, mas a vivência de um conjunto de experiências contínuas prejudiciais à saúde psíquica, como acontece por exemplo com bancários que sofrem assaltos à mão armada.

Sintomas:

  • Lembranças das cenas traumáticas – revê e revive mentalmente essas cenas
  • Sudorese, taquicardia e um profundo mal-estar.
  • Pesadelos com conteúdo relativo ao evento, distúrbio do sono, irritabilidade, tensão e distúrbios neurovegetativos diversos.

Essas manifestações geralmente ocorrem após acidentes, assaltos, incêndios e tornam-se patológicas quando perduram por mais de dois meses não apresentando melhoras progressivas.

 

5  SÍNDROMES DEPRESSIVAS

São as observações longitudinais que nos permitem a identificação dos quadros de depressão associados às vivências do trabalho.

Sintomas:

  • Tristeza recorrente.
  • Vivências de perda ou fracasso.
  • Falta de esperança.
  • Auto-culpabilização por acidentes e insucessos.

No entanto, muitas vezes se manifestam com profunda sutileza, através do desânimo diante da vida e do futuro, da amargura ou do conformismo fatalista. Essas depressões ocultas podem assumir a forma de somatizações, doenças, acidentes de trabalho, alcoolismo e/ou absenteísmo.

 

Se você se identifica com a descrição de alguma dessas síndromes, isso pode ser o ponto de partida para entender se sintomas emocionais e, até mesmo físicos podem ter origem na relação com o trabalho que você exerce. Caso tenha dificuldades de lidar ou romper com essas situações, um profissional poderá ajudar no caminho de restabelecimento de sua saúde física-emocional.

 

Tatiana Festi – Psicóloga Clínica com 13 anos de experiência. Graduada pela Universidade Estadual de Maringá e pós-graduada em Psicologia Junguiana. Realiza atendimentos OnLine para residentes no Brasil e expatriados.

 

Referência:

Seiligman Silva, E. Psicopatologia e saúde mental no trabalho. In: Mendes, R. Patologia do trabalho. Rio de Janeiro: Atheneu, 2003. V. II.

 

Imagem: <a href=”https://br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/vintage”>Vintage foto criado por jcomp – br.freepik.com</a>

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