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SAIBA SE VALE A PENA VIVER UM RELACIONAMENTO INTERCULTURAL E CONHEÇA 5 DICAS PARA TORNÁ-LO MENOS DESAFIADOR

SAIBA SE VALE A PENA VIVER UM RELACIONAMENTO INTERCULTURAL E CONHEÇA 5 DICAS PARA TORNÁ-LO MENOS DESAFIADOR

Na vida adulta, quando entramos numa relação já chegamos carregados de experiências, tantos de perdas e de decepções quanto de alegrias e de realizações. Trazemos na bagagem nossa maturidade e nossas inevitáveis feridas. E, a maneira como  lidamos e elaboramos essas feridas não está apenas relacionada com nossa história individual/familiar, ela também será influenciada pela moldura que a cultura e o idioma nos oferecem para narrá-las. 

Uma relação afetiva a priori fala do encontro de dois universos distintos e, quando nos unimos com um estrangeiro, vamos ao encontro de outra constelação! Uso esta metáfora porque, ao atender os meus pacientes que vivem essas relações, recorrentemente me deparo com diferenças e dificuldades que vão além das características individuais, mas que muito falam sobre as permissões, os impedimentos e as possibilidades que cada cultura oferece para lidarmos com diferentes temas da vida.

Mas, mesmo com a existência de todas essas diferenças, não significa que a união com um estrangeiro seja uma experiência ruim, bem pelo contrário! Você precisará de paciência para  refinar seu olhar e entender certas diferenças, e com isto, terá uma oportunidade única de  mergulhar em profundidade nesta outra constelação! 

Neste lugar tão profundamente próximo ao outro sua vida pode ser preenchida com sabores, ritmos, harmonias e cores que jamais seriam sentidos, vistos, tocados numa relação com outro brasileiro.

Se vocês se mudarem para o país de origem de um dos cônjuges, poderá ter o apoio deste nesta jornada. Se, se mudarem para um país incomum a ambos, poderão estar mais unidos do que nunca. Saiba que por um bom tempo vocês  serão a única rede de apoio um para o outro. Sim, isso implica em perdas, mas por outro lado, também há um imenso potencial de estreitamento de parceria, lealdade e cumplicidade.

Relacionamento por si só não é simples. Mas um relacionamento intercultural pode ser muito saudável e compensador!

Por eu mesma já ter sido uma expatriada e durante os últimos anos acompanhar muitos  pacientes que vivem um relacionamento intercultural, decidi escrever um texto a respeito.  Então, abaixo trago 5 dicas que podem facilitar esta multifacetada convivência!

 

1. Entendam como funcionam os relacionamentos em cada uma das 2 culturas

Essa é uma das primeiras conversas importantes que o casal precisa ter, de preferência enquanto ainda estiver se conhecendo. Há culturas em que sair com alguém apenas por uma noite é comum, enquanto em outras o normal é sempre namorar ou ter um relacionamento sério, buscando o matrimônio. Mesmo em culturas próximas, como as das Américas, as europeias ou as asiáticas, esse comportamento pode variar de uma região para outra. 

É sempre crucial entender o limite do outro e o que a palavra relacionamento significa para ele e para suas origens. Os diferentes hábitos culturais de relacionamento são um entrave que pode causar pressão em casais que acabaram de se conhecer, afinal, enquanto um deles sai do primeiro jantar a dois e vai para casa seguir a vida sem esperar nada em troca, o outro pode deixar o encontro cheio de expectativas e com o pensamento de que a semente de um casamento foi plantada ali. Para evitar esse desencontro cultural, dialoguem abertamente! Sejam francos sobre como o romance funciona para cada um e definam regras que façam sentido para ambos. 

 

2. Vençam as barreiras idiomáticas

É muito provável que um de vocês se comunique na língua nativa enquanto o outro se esforce para aprender o idioma como segunda língua. Quem se comunica na língua mãe leva a vantagem e ganha certo “poder” por ter a facilidade de comunicação. O nativo é capaz de se comunicar de maneira eficiente, enquanto o aprendiz pode usar expressões consideradas inapropriadas ou fora de contexto e acabar se sentindo mal por isso.

O uso da comunicação não-verbal, como expressões faciais, gestos e intensidade da respiração, podem colaborar para a eficiência do diálogo. O não-verbal induz às sensações, e esse significado não pode ser encontrado nos dicionários bilíngues. Um olhar profundo é linguagem universal, um suspiro de cansaço pode ser compreendido até mesmo pelo telefone, o tédio pode ser visto por uma chamada de vídeo. Se é possível compreender o que o outro sente através de uma tela, imagina o que pode ser percebido entre duas pessoas que já possuem laços afetivos?

Os melhores remédios para superar as dificuldades idiomáticas são: paciência e compreensão. Tenham paciência para esperar o outro se tornar confortável em seu idioma natal. O tempo para o conforto na língua varia de caso a caso, mas a fluência é destino certo dos que perseveram. Saibam compreender os desafios do parceiro com a linguagem, o apoiem nos estudos e aprendam a corrigir seus erros de maneira amável. Ele se sentirá cada dia mais confiante e mais estimulado a aprender e se comunicar melhor. 

 

3. Estabeleçam os limites para as opiniões da família

Os familiares de ambas as partes vão palpitar porque o palpite é global e humano. Mas, certos comentários podem chegar quando vocês menos esperam e poder gerar uma tensão desconfortável entre o casal. As famílias podem não concordar de cara, podem debochar dizendo que “é só uma aventura”, podem começar um jogo de forças perguntando em qual país vocês vão morar e de qual das famílias vocês preferem estar perto. 

Estejam preparados também para as perguntas e pré-julgamentos relacionados a religião de cada um. É comum que ambas temam as diferenças de crenças entre vocês porque o desconhecido sempre causa medo. Mantenham a calma e, tenham paciência e carinho para explicar para os seus familiares que vocês se gostam e que o apoio deles é importante. Pode ser que, eventualmente, eles apoiem vocês, mas pode ser que eles sempre mantenha um pé atrás. Independente do cenário, se vocês dois estiverem unidos e conectados como casal, vocês tirarão de letra.

 

4. Busquem o equilíbrio entre suas tradições e raízes gastronômicas

Falar sobre tradições e raízes culinárias pode soar como supérfluo, mas não é. A comida é o combustível que mantém o corpo ativo e saudável, e ela faz parte da rotina diária de qualquer ser humano. Estejam abertos para conhecer as bases alimentares um do outro. Lembrem sempre que há culturas que consomem muitos condimentos, outras adoram pimenta, e há ainda aquelas que preferem comer certas proteínas cruas. Tudo isso pode mudar o gosto de algo que você achava que conhecia e gostava. Aceitem a tarefa de provar a comida um do outro, com o coração porque abrir-se para a cultura do companheiro é uma linda demonstração de respeito pela história do próximo.

Danças, comportamentos, gírias e comemorações típicas também são parte das experiências distintas do casal. Uma forma de apresentá-las um ao outro é fazer noites temáticas. O parceiro ficará feliz em conhecer um pouco mais do outro, ainda mais de uma maneira tão privativa e especial. Lembrem-se sempre que relacionar-se implica em entender o outro, seu mundo, seus pensamentos, seus sonhos. Corações abertos a viver um grande amor devem estar dispostos a compreender seu par, independente de cultura, nacionalidade ou religião.

 

5. Conversem sobre o futuro

Se vocês pensam em um projeto a dois de longo prazo, há muito que ser conversado. Em qual dos países vocês irão viver? Quais os procedimentos para que seu companheiro tenha direito aos vistos corretos e à permissão de trabalho? Como a família irá reagir? Quais são seus sonhos profissionais? Como vocês podem conciliar os planos pessoais com essa nova realidade a dois? Como dar suporte ao parceiro que está abdicando de seu país e de suas comodidades para viver a vida ao seu lado no país hospedeiro? Como está a saúde financeira de vocês? Como será quando chegarem os filhos? Qual cultura irá predominar em sua criação? Vocês os ensinarão os dois idiomas?

Há muito o que conversar porque há muito em jogo com esse próximo passo. Dialoguem sobre tudo quantas vezes forem necessárias. Criem hipóteses sobre o futuro e sobre como vocês reagiriam em determinada situação. Vocês devem aproveitar para se conhecer melhor e entender para qual direção cada um deseja caminhar. Se os caminhos forem próximos e o destino de chegada for o mesmo, vocês têm grandes chances de chegarem lá juntos, um apoiando o outro.

 

Então respondendo a pergunta do título… sim, pode ser uma experiência extremamente valiosa uma relação intercultural. Você viverá dificuldades que não viveria estando com alguém da sua mesma nação, mas por outro lado, terá experiências únicas que apenas irão enriquecer sua bagagem afetiva e cultural!

 

Tatiana Festi – Psicóloga Clínica com 15 anos de atuação. Graduada pela Universidade Estadual de Maringá e pós-graduada em Psicologia Junguiana. Além de sua experiência pessoal em morar no exterior, a autora se especializa em questões clínicas referentes a diferenças culturais, residentes no exterior, expatriados e relacionamentos interculturais. Há alguns anos se dedica exclusivamente à psicoterapia on-line.

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Fontes usadas: https://www.internationalmentalhealth.nl/blog/2019/8/5/4-tips-for-intercultural-relationships-1 https://compasspsychology.fi/2018/05/24/language-and-communication-in-intercultural-relationships/

 

 

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