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MORAR FORA: COMO LIDAR COM A SOLIDÃO?

MORAR FORA: COMO LIDAR COM A SOLIDÃO?

Tanto a solidão quando a sensação de vazio pode atingir a qualquer pessoa, mas atinge de maneira particular quem decide morar fora, deixar o seu ninho e se aventurar em outros mares.  Isto pode acontecer porque quando a pessoa muda de país ela perde a convivência e até mesmo o contato com amigos, familiares, trabalho e toda uma cultura que lhe é conhecida e íntima. E isso tudo com o objetivo de agregar algo valioso em seu antigo modo de ser. São pessoas que se lançam à possibilidade de se reinventar, de mudar de fase, de evoluir, tanto material quanto emocional e culturalmente.

O processo de mudança de país nem sempre é fácil. Aliás, muitas vezes ele é bem complexo. Existem desafios a serem enfrentados e superados que dizem respeito tanto a nosso mundo interno quanto ao externo. Um destes desafios é a vivência do sentimento de solidão que pode gerar uma grande sensação de vazio e o desejo por contato humano. É um vazio que se revela diante da ausência ou da perda de tantas coisas que precisam abrir mão ao se mudar do Brasil.

Todos nós em algum momento de nossa vida experimentamos o sentimento de solidão. Mas aquele que decide morar fora, mudar de país, tende a vivenciá-lo com muito mais frequência. Esses momentos podem ser agravados por determinadas situações, tais como a chegada do inverno, uma crise no trabalho, problemas de relacionamento ou simplesmente pela falta de amigos íntimos com quem possa compartilhar tanto suas tristezas quanto suas conquistas.

E a solidão começa a se tornar problemática quando a dor que dela decorre demora para passar. A pessoa tem sua autoestima abalada, a autoconfiança diminui e, diante deste estado de espírito fica muito mais difícil se conectar com outras pessoas, fazendo com ela acabe se isolando ainda mais.

MORAR FORA: COMO SUPERAR A SOLIDÃO?

Embora pareça difícil, há diversas atitudes que você pode tomar e que, com certeza, vão ajudá-lo a superar a solidão.

AUTO REFLEXÃO

A solidão é um sintoma, um sinal de que algo não vai bem e precisa ser revisto e modificado. Então, tire um tempo e reflita a respeito de suas escolhas, suas condutas e reações diante do novo grupo. Isso pode ajudar a estabelecer quais mudanças serão necessárias em seu comportamento.

Por exemplo, se você começou a aprender uma nova língua, mas todas as vezes que tem a oportunidade de se expressar ou participar das atividades, se “encolhe”, isso pode te proteger da angústia e da vergonha, mas não será nada benéfico enquanto treino de novas habilidades de socialização.

OBJETIVOS

Quando a pessoa decide morar fora ela pode perder a noção de quem é, pois por um tempo estará utilizando apenas parte de suas habilidades e competências. Nestes momentos é importante lembrar quais foram os objetivos que te levaram a se mudar, quem é a pessoa que estava escolhendo a mudança e, mesmo que estes objetivos mudem com o tempo, é importante sempre tê-los em mente com clareza.

CONQUISTAS

Lembre-se como foi capaz de superar suas dificuldades até o momento. Permita-se celebrar as suas conquistas e tenha cuidado para não manter o foco em sentimentos de rejeição, fracasso, abandono ou perda. Concentre-se nos pensamentos positivos de novas possibilidades de interação e crescimento.

TENHA ATITUDE

Busque algum serviço comunitário que suas habilidades lhe permitam executar ou outra atividade em grupo que lhe dê prazer (arte, cultura, gastronomia, artesanato, religião, etc). Não seja passivo diante de suas dificuldades, para alcançar a felicidade e conforto que tanto buscamos é preciso que haja esforço e boa vontade para abandonar nossa zona de conforto!

FAÇA ESCOLHAS

Poder conhecer pessoas novas, nem que seja para bater aquele papo de dia a dia sobre o tempo pode ser prazeroso, mas quando se pensa em investir energia para o desenvolvimento de laços mais estreitos, é importante se aproximar de pessoas que partilhem de valores e princípios parecidos com os seus. Assim você criará relações mais saudáveis e significativas, diminuindo a sensação de vazio e solidão.

O importante é não perder a capacidade de se abrir para o “novo”!

Esteja e seja disponível para a vida que escolheu viver.

 

Se a autorreflexão e a mudança de alguns comportamentos não forem suficientes para diminuir ou superar o sentimento de solidão, talvez seja o momento de buscar ajuda profissional. Num ambiente acolhedor, ético e sem julgamentos você poderá repensar a si mesmo e criar novos caminhos a serem percorridos.

*Texto publicado no Blog parceiro Viver, Trabalhar e Estudar no Exterior em 16.05.2017.

Tatiana Festi – Psicóloga Clínica com 13 anos de atuação. Graduada pela Universidade Estadual de Maringá e pós-graduada em Psicologia Junguiana. Além de sua experiência pessoal em morar no exterior, a autora  se especializa em questões clínicas referentes a diferenças culturais, residentes no exterior, expatriados e relacionamentos interculturais. Há alguns anos se dedica exclusivamente à psicoterapia on line.

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